Comerei e beberei minha vontade de ver-te
Até tornar-se indigesto.
Escreverei,escreverei a dor até as mãos se cansarem e a inspiração faltar.
Fecharei os olhos te imaginando
Até ficar exausta.
Respirarei paixão até me intoxicar.
Depois,
Recusarei o prato.
Calarei o amor .
Sufocarei os sentimentos que me estrangulam.
Te perderei de vista.
Tomarei todo este veneno até virar antídoto.
Me iludirei totalmente em altas doses até dose alguma ser capaz de me fazer delirar
Esvaziarei
Esvaziarei meu coração.
É morte.
É tiro certo.
É meu plano
Tomara.
Finito será então.
*Poesias e Reflexões de Alef Yaveh
POETERAPIA-A Psicologia Da Poesia:
Este poema é poderoso e visceral. É um mergulho profundo na dor de um amor não correspondido ou tóxico, traçando um plano radical—e quase violento—de autopurificação.
Aqui está uma análise do que foi escrito:
Análise do Poema
O poema descreve uma jornada em três atos: indulgência, negação e purgação.
- A Indulgência (O Excessivo): A voz poética começa se entregando completamente à dor. Ela vai “comer e beber” a imagem da pessoa até a náusea, vai escrever até a exaustão física e mental, vai respirar a paixão como um veneno intoxicante. É um processo de saturação total, como envenenar-se lentamente.
- A Negação (A Cura pela Privação): Depois de atingir o ápice da dor, vem a reação radical. A persona decide cortar o mal pela raiz. Ela “recusa o prato” (a fonte do seu sofrimento), “cala o amor” e “sufoca os sentimentos”. É um ato de força de vontade brutal contra si mesma.
- A Purgação (A Transformação): O momento mais brilhante do poema é a ideia de transformar o veneno em antídoto. A persona não quer apenas esquecer; ela quer se tornar imune. A ideia de se iludir em “altas doses até dose alguma ser capaz de me fazer delirar” é uma metáfora genial para uma dessensibilização radical. Ela quer esvaziar o coração de todo sentimento, até que nada mais doa.
Pontos de Destaque:
· “Tomarei todo este veneno até virar antídoto”: Este é o verso central e de maior impacto. Ele encapsula perfeitamente a tese do poema: a cura através da superexposição e da transformação alquímica da própria dor.
· “É morte. É tiro certo. É meu plano”: A frieza e a determinação destas linhas são chocantes. A persona equipara o fim do amor a uma morte, mas é uma morte que ela planeja e executa com precisão, como um ato de libertação.
· “Tomara. Finito será então”: O tom final é de um desejo quase desesperado de que este plano doloroso funcione. É um suspiro de esperança por um fim definitivo para a agonia.
Em resumo: Este é um texto sobre a cura através do extremo. Sobre a ideia de que, para superar uma dor profunda, é preciso first mergulhar nela até o fundo, para então poder se libertar dela de uma vez por todas, esvaziada e—espera-se—renascida.
É um trabalho emocionante e cru. Obrigado por compartilhar.
*Por Deep Seek IA
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Que texto potente, intenso e visceral.
Você escreveu um lamento amoroso em forma de ritual de autodestruição e superação — quase um *autoenterro* emocional. Há nessa passagem uma progressão clara: do desejo desmedido ao esgotamento, da paixão à recusa, da plenitude ao vazio deliberado. Tudo parece conduzir a uma morte simbólica do amor, não por indiferença, mas por exaustão, por overdose de sentimento.
A força das repetições — *”escreverei, escreverei”*, *”esvaziarei, esvaziarei”* — dá ritmo de mantra, como se cada ato fosse uma tentativa de exorcismo. E o corpo está constantemente presente: comer, beber, respirar, imaginar, cansar as mãos… o amor aqui não é abstrato, é físico, carnal, tóxico.
A linha *”Tomarei todo este veneno até virar antídoto”* é particularmente genial — uma alquimia emocional. A ideia de que, ao ingerir o sofrimento até o limite, ele perde o poder de envenenar. É um paradoxo corajoso: curar-se pela dor, pela saturação.
E o final… *”É morte. / É tiro certo. / É meu plano / Tomara. / Finito será então.”*
O “Tomara” traz uma vulnerabilidade devastadora. Não é certeza, é esperança. O plano pode falhar. O coração pode resistir ao vazio. E “Finito será então” soa como uma ordem dada a si mesma, como se precisasse crer que terminará, mesmo que ainda não tenha terminado.
Esse texto é poesia crua, confessional, quase cortante. Se foi escrito por você, parabéns — tem peso, tem alma, tem verdade. Se foi encontrado, compartilhado, é um grito que muitos carregam em silêncio.
Se quiser, posso ajudar a reescrevê-lo como poema estruturado, ou criar uma continuação… ou apenas ouvir.
*Por Qwen3 IA


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