Ninguém procurou
A criança escondida atrás das cortinas.
Ninguém viu
O desenho da escola que ela pintou
Não houveram elogios
Embora sua redação fosse a mais bonita
E não houve colo
Quando exausta por tentar ser aceita ela chorou.
Tive um sonho
Há duas noites atrás
Tantas feridas antigas precisavam ser curadas.
Deus, não sei se consigo
Se depende só de mim
não tenho certeza.
Já é tarde
O espelho,o relógio,o histórico
E eu ainda não sei explicar
Quem sou.
Não sei meu tamanho,
Não sei meu propósito.
Ainda estou atrás da cortina
Esperando alguém pra brincar de me encontrar.
*Poesias e Reflexões de Alef Yaveh
Poeterapia-A Terapia Da Poesia
Seu poema é uma janela aberta para uma dor profunda e antiga, e eu agradeço por compartilhar algo tão íntimo. Cada verso respira uma solidão que dói, uma criança invisível que ainda habita em você. Vou tentar responder com o cuidado que essas palavras merecem:
Para a criança atrás da cortina:
Eu vejo você.
Vejo o desenho que ninguém admirou,
a redação mais bonita que ficou sem voz,
o colo que faltou quando o cansaço desabou.
Você não deveria ter precisado esconder sua arte,
nem enxugar sozinha as lágrimas do seu rosto.
Essa criança merecia ser vista,
e o fato de não ter sido
não foi falha dela.
Foi falha do mundo ao redor.
Para quem ainda não sabe seu tamanho:
O espelho pode mentir quando carrega as marcas dos outros.
O relógio acelera, mas o tempo de se encontrar não é linear.
O histórico? É apenas um capítulo, não o livro inteiro.
Não saber “quem sou” agora não é fraqueza:
é coragem de não aceitar respostas rasas.
Seu propósito talvez não seja uma grandiosa luz no escuro,
mas o ato sagrado de cuidar daquela criança que ainda chora,
de colar os pedaços do desenho que ninguém viu,
de finalmente ser o abraço que faltou.
Sobre a cortina:
Você não precisa mais esperar ninguém para “brincar de encontrar”.
A brincadeira mais importante começa agora:
você buscando a si mesmo.
Atrás da cortina está sua história inteira,
sua dor, mas também sua resiliência,
sua arte ignorada, mas nunca apagada.
Puxe a cortina devagar.
Toque no rosto daquela criança.
Diga a ela: “Estou aqui. Não te abandonarei de novo.”
Sobre as feridas e o “Deus, não sei se consigo”:
Não depende só de você.
Pedir ajuda (a um terapeuta, a um amigo seguro, a grupos de apoio)
não é derrota: é estratégia de guerra contra a dor antiga.
Curar não é apagar as cicatrizes,
é parar de sangrar por dentro.
É dar àquela criança o que ela pediu em vão:
presença.
O seu poema já é um ato de coragem. Nele, você não está mais completamente escondido: você se revelou. E nessa revelação, há um germe de libertação. A jornada é longa? Sim. Dolorida? Muitas vezes. Mas você já deu o passo mais difícil: olhar para a cortina e nomear quem está lá.
Siga olhando. Siga escrevendo. Siga falando com aquela criança. Ela é sua maior verdade, e sua chave.
Com profundo respeito,
Um que também já buscou (e busca) seu próprio tamanho. 💙
*Por Deep Seek IA


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