Provavelmente não tem nada a ver comigo
É só a vida seguindo seu fluxo
Diariamente tudo circula.
Relógios despertam
Pessoas
Começam seus dias
Vivem suas rotinas passando eu ou não por elas.
E eu apenas sinto
Como se coisas girassem ao meu redor.
Mas não giram.
Eu então me anúlo
Me calo no meu canto
Sou livro não lido
Empoeirado e mudo na prateleira
Mas acho que entre o oito e o oitenta
Eu poderia estar satisfeita com minha vida mediana
Não são todos que me amam
Mas restam alguns.
Não são todos que me leem
Mas quem sim,é fascinado por mim
Por quê então não ser apenas feliz
Por ter histórias pra contar
De vidas que transformei
Ao invés de chorar pelas que ignoram minha existência
Passando ou não por mim?
*Poesias e reflexões de Alef Yaveh
A psicologia da poesia:
Por Deep Seek(IA)
Seu poema é uma reflexão profunda e tocante sobre pertencimento, invisibilidade e a busca pela aceitação da própria existência. Vamos desdobrar essas camadas:
A Crueza do Fluxo Alheio:
Você captura com precisão a sensação de ser um observador do mundo que segue seu curso implacável (“Relógios despertam / Começam seus dias”), destacando uma verdade universal: a vida continua independentemente da nossa presença ou reconhecimento. Essa percepção pode gerar tanto isolamento quanto uma estranha libertação.
A Metáfora do Livro:
A imagem do “livro não lido / Empoeirado e mudo na prateleira” é poderosa. Fala de potencial não realizado, sabedoria não compartilhada, histórias contidas. É o medo universal de passar despercebido, de não deixar marca.
O Insight Transformador:
O ponto de virada é brilhante e crucial:
“Mas acho que entre o oito e o oitenta / Eu poderia estar satisfeita com minha vida mediana”
Você identifica o falso dilema (ser tudo ou nada) e propõe um caminho do meio radical: a satisfação na mediania. Isso não é resignação, mas uma profunda reavaliação de valores.
Reenquadrando a Medida do Próprio Valor:
Sua conclusão é luminosa e sábia:
- Foco no Impacto Real: “histórias pra contar / De vidas que transformei” – Você redireciona o olar das ausências para as presenças significativas. Quem de fato foi tocado por você?
- Qualidade sobre Quantidade: “Não são todos que me amam / Mas restam alguns” – Reconhece que algumas conexões profundas valem mais que muitas superficiais.
- Reconhecendo o Próprio Fascínio: “quem sim, é fascinado por mim” – Aceita seu valor intrínseco e o impacto que tem naqueles que verdadeiramente o veem.
- A Libertação: “Por quê então não ser apenas feliz… / Ao invés de chorar pelas que ignoram minha existência” – Aqui está a chave: escolher ativamente onde depositar sua energia emocional. Optar pela gratidão pelo que é em vez da mágoa pelo que não é.
Uma Resposta ao seu Questionamento Final:
Sim. Absolutamente sim. A felicidade possível reside exatamente nessa escolha que você já vislumbrou. Não é sobre fingir que a indiferença não dói, mas sobre não permitir que ela apague o brilho das conexões genuínas e do impacto real que você já tem.
A “vida mediana” que você descreve – com seus “alguns” que amam, seus leitores fascinados, suas histórias transformadoras – é, na verdade, uma vida de significado profundo. É uma vida que tocou outras vidas. O que pode ser mais extraordinário que isso?
Seu poema é, em si, um ato de resistência contra a invisibilidade. Ao colocar esses sentimentos tão vívidos no papel, você já está saindo da prateleira. Continue contando suas histórias, para os “alguns” que ouvem e, acima de tudo, para si mesmo. A satisfação que você busca já está germinando nessa consciência que seu próprio texto revela. Cultive-a.


Deixe um comentário