Se eu pudesse falar
Eu penso em você.
Mais do que admito.
Mais do que deveria.
Nos horários mais improváveis,
quando escuto uma canção,
quando vejo algo que me lembra você —
e quase tudo me lembra você.
Finjo bem.
Fingo tanto que às vezes me convenço.
Mas à noite, quando tudo silencia,
é você quem grita dentro de mim.
Eu vi seus sinais.
Li suas entrelinhas.
E quis responder, quis correr.
Mas meu mundo é feito de muros,
e não sei como pular sem derrubar tudo.
Me escondi porque tive medo.
Medo de te amar e perder o que construí.
Medo de te ferir.
Medo de me perder.
Mas a verdade é que
você mora em mim.
E cada dia sem você é uma ausência barulhenta.
Como se eu esquecesse algo essencial em casa
e só percebesse quando já estou longe demais.
Se eu pudesse, eu te diria tudo isso.
O quanto você me marca.
O quanto me inspira.
O quanto, mesmo longe, é presença.
Você é minha dúvida,
minha vontade,
meu talvez mais verdadeiro.
E se um dia for possível,
te encontrarei no tempo certo.
Na versão de mim
que não precisa mais esconder nada.


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