
Estou me cercando de flores,
pendurando enfeites,
plantando sementes,
escolhendo cores,
idealizando meu mundo.
Estou fazendo eu mesma
todas as tarefas.
Grão à grão de terra,
enxugo a testa.
Construo um castelo,
pinto as paredes,
busco a água,
limpo o chão.
carrego as cargas.
E
depois de tudo pronto,
tomo um banho,
esvai-se o cansaço e o suor.
Lavo os cabelos,
penteio,
adorno.
Visto-me como princesa
ou melhor,
como rainha.
É meu dia.
Este é por fim meu reino
Terra conquistada,
Inaugurada depois de tempos,
mais tempo
e metade de outro tempo.
Terreno forte,
protegido por muralhas
altas.
Cobiçado por quem segue estrada.
Quem me vê aqui sentada admirando as flores
Subestima meu merecimento.
Não imagina os espinhos
bolhas e calos cravados e inflamados.
O esforço investido
em tempos,
mais tempo
e metade de outro tempo.
Se eu quisera um dia um castelo,
já sabia:
Ninguém achava que eu merecia.
Tinha que ser
construído pelas minhas próprias mãos.
De Ale Barcelos.

