Códigos Das Minhas Emoções

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Elas que lutem

Esta é uma nova gíria que se espalhou pela Internet atualmente,e aproveitando o tema quero cavucar com vocês mais uma vez nas descobertas que fiz sobre minhas emoções não curadas,diante de uma situação que se repetiu por duas vezes recentemente.

Eu trabalho meio período na loja de variedades da minha mãe,uma mulher com pouco mais de 60 enquanto eu estou com quase 39.

Alguns dias tenho a sorte das pessoas que me veem lá me elogiarem,falarem que sou bonita,ou que estou bonita.

Por duas vezes minha mãe respondeu a estas pessoas dizendo

“Minhas 3 filhas são lindas”.

Da primeira vez eu deixei passar,mas da segunda respondi:

– Dá licença que o elogio é pra mim?!

Sei,parece duro e tolo a princípio,mas temos que voltar à minha infância pra entender isso melhor.

Eu era a filha do meio,a mais velha era a mocinha que já fazia as unhas com a mamãe,a mais nova era a branquinha de cabelos ruivos cacheados e a pinta na perna igual da Angélica.

Todos paparicavam minha irmãzinha,já falei aqui do trauma que tive por anos odiando meu aniversário porque nunca tinha nada pra mim enquanto minha irmã caçula teve festas enormes com tema de Moranguinho e Ursinhos carinhosos.

Minha mãe não costumava me elogiar ou me fazer sentir bonita, nem se virava para as pessoas que elogiaram a caçula na minha frente pra dizer:

Já repararam na Alessandra?Ela também tem essa e aquela qualidade”-nem em particular,nem publicamente.

Cresci negligenciada no apoio à minha alto estima,ouvindo que meu cabelo era ruim,que eu era a mais negrinha etc.

Mesmo na televisão quando passava alguma criança talentosa,vi minha mãe diversas vezes se desmanchar em elogios que nunca havia usado comigo,assim como fazia com as crianças de outras pessoas.

Então eu cresci,sobrevivi,hoje trabalho minha alto estima,me cuido,me esforço,sabendo perfeitamente que a aparência não é a coisa mais importante e que elogios são bons de se ouvir,mas não dependemos deles.

Mas quando minha mãe diz para as pessoas que expontaneamente me elogiam,de um jeito velado,que as minhas irmãs também merecem ser elogiadas,é como se arrancasse das minhas mãos um doce que eu ganhei e me fizesse repartir em três pedaços iguais me fazendo sentir muita egoísta em querer comer sozinha…mas o fato,é que ninguém repartiu nada em pedaços iguais comigo por uma vida inteira.

Então com licença:

O doce é meu,

o elogio é pra mim.

Mamãe que se conforme,

e finalnente,quando tiverem que receber elogios ou quaisquer outras dádivas,elas que lutem.

Ale Barcelos.