
Desde pequena Deborah via a mãe sofrer.
Sofre de quê?
De infelicidade crônica.
Desde o ventre Deborah sentia o peso da tristeza chegar.
O útero se transformava num ambiente duro e frio
Ela não tinha opção se não encolher-se quieta lá dentro esperando as dores,angústias e estress maternos passar.
Tem bem forte na memória aquelas sobrancelhas encurvadas,o bico e o silêncio em frente a pia,lavando louça.
Deborah sentia-se culpada,sendo de fato ou não.
O que será que fiz pra mamãe estar assim?..às vezes perguntava e a mãe só respondia:
-Nao é nada,apenas me deixa,me deixa quieta.
Deborah cresceu e ainda sente culpa casa vez que a mãe está infeliz,se não sentir ou demonstrar,a mãe começa um discurso de como gostaria de estar bem como Deborah aparenta estar!
Há sempre censura e ironia no tom de voz,além de muito drama e altopiedade nas palavras .
Será que tem consciência de tamanha covardia?Produzir infelicidade e culpa no outro a partir das escolhas infelizes que fez e faz?
Deborah tem aprendido:
Não escolheu nada pela mãe,a mãe fez todas as suas escolhas sozinha:
Seus homens,seu trabalho,sua religião,as roupas que usaria,a importância que daria a Deus,as músicas,os passeios,as companhias,seu próprio estilo de vida…as escolhas são pessoais e intransfersíveis,todos nós fazemos a nossas segundo após segundo,todos os dias.
Não dá pra culpar o outro por nossas escolhas nem obrigá-lo a viver nossos pesares,aproveitando-se e abusando do amor que sentem por nós.
Há quem se afogue num rio de dor tentando salvar alguém.
Portanto,apesar de tanto amor,hoje Deborah se protege,pra manter-se sóbria e lidar com a própria vida,pois tem seus próprios filhos e história.
Infelicidade crônica é incurável,a menos que o próprio ser que acha muito interessante ser e altoproclamar-se infeliz,sinta finalmente o desejo de se curar e comece a lutar contra a correnteza e a tendência de muito e por tudo sofrer.
De Ale Barcelos.

