
Não há nada impressionante,
nada empolgante.
A chuva cai
aprisionando-me mais na falta de vontade de tudo.
Se estivesse otimista
eu diria que posso simplesmente andar pela chuva,
deixar molhar a alma
amolecer a terra .
Mas não estou.
Ouço os pingos,
observo-os pelas janelas e vitrôs;
Vejo-a enfraquecer e voltar a chover com força.
É fim de tarde e quase fim de semana,
fim de mês
e fim de ano.
As forças sempre esmorecem nos fins.
Estou só.
O silêncio me faz sentir solidão mesmo sabendo que meus amores chegarão com beijos e barulhos.
Eles me encontrarão inerte e sem humor.
querendo dormir e sem sono.
Querendo deitar-me com a sensação de que não teve vida,
nem cansaço hoje
que me faça merecer descanso.
Querendo mais silêncio e quietude.
Não sei como será o arrastar das próximas horas,
dos próximos dias.
Não sei como estarei amanhã
e o outro mês
e o outro ano.
É culpa da chuva
que cai sem parar dentro de mim.
É culpa minha que culpo a abençoada chuva.
Na verdade
não há culpados.
Há apenas sensações
tristes e confusas durante estes dias molhados.
De Ale Barcelos.

