
Eu penso em ir pra outro lugar,
aqui não me parece bom.
Em pensamento abro a porta,
ligo o carro,
mas não sei pra onde ir.
Não sei pra que lado ficam as montanhas
e mesmo que soubesse a carteira está vazia e o tanque na reserva.
Eu penso em tentar outros amores
já que este parece cada vez mais doente .
Em pensamento eu idealizo
e sinto prazer,depois nojo.
Há muito juízo ainda para que a insensatez perdure mais que um instante.
Sinto medo e volto,
Como a criança que foge de casa,
foge até a árvore,
até a primeira esquina,
até soprar o primeiro vento ,
até sentir a primeira fome
e se lembrar das guloseimas na geladeira
e do conforto da sua própria cama.
(Mas por que ela foge?
Ninguém foge sem motivo!
Muito menos as crianças quando se sentem protegidas!)
Eu não sei em qual coração estariam as respostas que preciso,
além do mais a cabeça está cheia
e eu só tenho meia razão- se é que tenho.
Não importa se a maioria se arrisca um pouco mais e parece se dar bem;
Na verdade a maioria,
quando as coisas se complicam
mente e trai;
até você já o fez
(e enquanto me lembro disso,olho outra vez para as portas e para as chaves)
Mas eu,
que não sou todo mundo,
fico onde estou,
pois se aqui que está meu mundo inteiro
não parece bom,
onde óh raios poderia parecer?!
Se aqui que nossos corações se correspondem
ainda me é pouco o amor disponível,
em qualquer outro canto
eu morreria de fome e frio.
Eu morreria se fosse só um corpo
pra uso de outro corpo,sem amor.
Haja o que houver
por mais um dia,
escolho não ir a lugar algum
enquanto tudo não se resolver.
De Ale Barcelos.


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